A banana que chega à alimentação escolar carrega uma história que começa muito antes de ser servida aos estudantes. Ela nasce nas pequenas propriedades rurais, passa pelo trabalho das famílias produtoras, pela organização das cooperativas e, em muitos casos, por unidades de seleção, climatização e processamento.
No Vale do Ribeira, essa cadeia é sustentada por uma ampla rede de cooperativas da agricultura familiar. São organizações que representam produtores de Juquiá, Miracatu, Sete Barras, Eldorado, Registro e de diferentes comunidades rurais e quilombolas da região.
O trabalho conjunto permite que os agricultores familiares atendam mercados maiores, participem de chamadas públicas, comercializem diretamente com órgãos públicos e entreguem banana in natura e produtos processados para redes municipais de ensino.
Uma rede cooperativa presente em todo o Vale
Entre as organizações que atuam na agricultura familiar regional estão a COOPAFARGA, de Juquiá; a COOPAFASB, de Sete Barras; a COOBAM e a COOPERABAM, de Miracatu; a COOPMAVIG, especializada na produção agroecológica; a COOPERVALE; a COOPERÁGUA, do bairro Guapiruvu; a COOPERQUIVALE, formada por agricultores quilombolas; a COOPAFEL, de Eldorado; a Família do Vale Cooperativa; e a CAVARI – Cooperativa Agrícola do Vale do Ribeira.
Chamadas públicas realizadas para a alimentação escolar já reuniram, em um mesmo processo, COOPAFARGA, COOPAFASB, COOPMAVIG, COOPERVALE, COOBAM e COOPERÁGUA, demonstrando a capacidade regional de fornecer doces de banana sem açúcar, produtos orgânicos e derivados elaborados com a adição de outras frutas.
A COOPERQUIVALE e a COOPAFEL também possuem histórico de fornecimento para a alimentação escolar. Documentos da Prefeitura de São Paulo registram a aquisição de doce de banana produzido por agricultores quilombolas da COOPERQUIVALE e de banana in natura fornecida pela COOPAFEL.
Além das cooperativas, associações como a Associação dos Bananicultores de Miracatu, a ABAM, e a Associação dos Agricultores Familiares de Cajati, a AAGFAM, também participam da organização da produção e de processos de comercialização da agricultura familiar.
Embora cada organização tenha sua própria história, área de atuação e perfil de associados, todas fazem parte de um movimento que busca reduzir a dependência dos agricultores em relação aos intermediários e ampliar a participação das famílias rurais nas etapas de comercialização, beneficiamento e distribuição.
COOPAFARGA transforma a banana e agrega valor à produção
Dentro dessa rede, a Cooperativa dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar do Município de Juquiá — COOPAFARGA vem se destacando pela capacidade de conectar a produção dos agricultores ao processamento de alimentos.
A cooperativa trabalha para fortalecer a agricultura familiar de Juquiá, reunindo produtores e estimulando práticas produtivas ligadas à sustentabilidade e à preservação da Mata Atlântica.
No caso da banana, o processamento cria novas possibilidades de aproveitamento e comercialização. A fruta pode ser transformada em doce de banana sem adição de açúcar, doce orgânico e produtos combinados com outras frutas, ampliando sua vida útil e agregando valor à produção regional.
Em chamadas públicas realizadas pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, a COOPAFARGA apresentou projetos para o fornecimento de doce de banana sem açúcar e doce de banana sem açúcar com adição de frutas. Em um dos processos de 2026, a cooperativa teve quantitativos ajustados para o fornecimento desses produtos à alimentação escolar.
Esse modelo permite que a agricultura familiar avance além da venda da banana fresca. O valor gerado pelo produto processado movimenta outras atividades, como seleção das frutas, produção, embalagem, armazenamento, transporte e controle de qualidade.
Também abre mercado para bananas que apresentam boas condições nutricionais e sanitárias, mas que podem não se enquadrar nos padrões visuais exigidos pelo comércio tradicional.
COOPERCENTRAL integra cooperativas e amplia mercados
Enquanto as cooperativas locais mantêm o contato direto com agricultores e comunidades, a Cooperativa Central dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar do Vale do Ribeira — COOPERCENTRAL VR atua na integração regional.
A central surgiu da união de cooperativas e produtores rurais do Vale do Ribeira. Sua atuação busca integrar as organizações, aperfeiçoar os processos de produção e distribuição e ampliar a participação da agricultura familiar em mercados, pregões, licitações e outras formas de comercialização.
As cooperativas ligadas a essa articulação estão localizadas em municípios como Eldorado, Iporanga, Juquiá, Miracatu, Registro e Sete Barras, embora muitos associados estejam distribuídos em outras cidades do território.
A importância dessa estrutura fica evidente quando é necessário atender grandes contratos. Fornecer alimentos para redes municipais de ensino exige regularidade, padronização, documentação, controle de qualidade, capacidade produtiva e uma logística preparada para realizar entregas em diferentes escolas.
A união das cooperativas permite reunir a produção de centenas de agricultores sem retirar a identidade de cada organização. A COOPERCENTRAL funciona como um elo capaz de articular volumes, organizar processos e representar coletivamente os produtores em mercados que seriam mais difíceis de acessar individualmente.
Uma história construída pela cooperação
A articulação regional para o fornecimento de banana à alimentação escolar não começou agora. Em dezembro de 2014, cinco organizações do Vale do Ribeira assinaram um contrato para fornecer aproximadamente 700 toneladas de banana nanica e prata à Rede Municipal de Ensino de São Paulo.
O processo reuniu COOPAFARGA, COOPAFASB, COOBAM, Família do Vale e a Associação dos Bananicultores de Miracatu. No ano seguinte, um encontro realizado em Juquiá reuniu agricultores, cooperativas, nutricionistas, profissionais da alimentação escolar e representantes do poder público para discutir a produção e a entrega desses alimentos.
A experiência ajudou a mostrar que o Vale do Ribeira possui produção, organização social e capacidade logística para abastecer grandes redes públicas.
Com o passar dos anos, outras cooperativas passaram a participar de chamadas para o fornecimento de banana in natura, doce de banana, produtos orgânicos e alimentos processados. Dessa forma, a alimentação escolar tornou-se um dos principais caminhos para aproximar a agricultura familiar regional dos consumidores.
Alimentação escolar abre novas oportunidades
Desde 2026, pelo menos 45% dos recursos federais repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação ao Programa Nacional de Alimentação Escolar devem ser utilizados na compra direta de alimentos da agricultura familiar. A legislação também determina prioridade para comunidades indígenas, quilombolas, assentamentos da reforma agrária e grupos de mulheres e jovens agricultores.
Para o Vale do Ribeira, essa ampliação representa uma oportunidade importante. A região possui agricultura familiar consolidada, produção expressiva de banana e cooperativas com experiência no atendimento ao mercado institucional.
Além da banana fresca, o processamento permite oferecer alimentos adaptados aos cardápios escolares, dentro das exigências nutricionais e sanitárias estabelecidas pelos municípios.
Os estudantes recebem um alimento produzido no território, enquanto os recursos públicos ajudam a movimentar a economia regional. A renda retorna para as propriedades, para as agroindústrias, para o transporte e para os demais serviços envolvidos na cadeia.
Da propriedade rural ao prato dos estudantes
Quando uma banana ou um doce produzido no Vale do Ribeira chega a uma escola, o resultado não pertence a apenas uma cooperativa. Ele representa o esforço de uma rede formada por produtores, trabalhadores, técnicos, nutricionistas, gestores públicos, associações e organizações cooperativas.
COOPAFASB, COOBAM, COOPERABAM, COOPMAVIG, COOPERVALE, COOPERÁGUA, COOPERQUIVALE, COOPAFEL, Família do Vale, CAVARI e outras organizações ajudam a construir diariamente esse caminho.
Nesse cenário, a COOPAFARGA demonstra como o processamento pode agregar valor à banana e ampliar as possibilidades de comercialização da agricultura familiar. Já a COOPERCENTRAL mostra que a integração regional é fundamental para transformar pequenas produções individuais em uma cadeia capaz de atender grandes mercados.
Da lavoura à agroindústria e da cooperativa à escola, a banana do Vale do Ribeira gera alimento, trabalho e renda. Mais do que fornecer produtos, o cooperativismo mantém famílias no campo, fortalece comunidades e aproxima a alimentação escolar da realidade agrícola da região.




