Preço médio da banana-nanica avançou 10% e ajudou produtores a enfrentar o aumento dos custos de produção na região
A produção de banana no Vale do Ribeira apresentou melhora nos resultados econômicos durante o primeiro semestre de 2026. O desempenho foi impulsionado principalmente pela valorização da banana-nanica, que registrou aumento médio de 10% nos preços em comparação com o mesmo período do ano passado.
Entre janeiro e junho, o valor médio recebido pelos produtores chegou a aproximadamente R$ 1,59 por quilo. No mesmo período de 2025, os preços mais baixos e os custos elevados haviam reduzido significativamente as margens da atividade.
Apesar da valorização da fruta, o custo de produção também aumentou. A estimativa é de uma alta de cerca de 3%, alcançando R$ 1,40 por quilo. Com isso, a rentabilidade média foi calculada em aproximadamente R$ 0,19 por quilo, resultado 217% superior ao observado no primeiro semestre de 2025.
Os números mostram uma recuperação importante, mas a margem financeira ainda é considerada apertada diante das despesas necessárias para a manutenção das lavouras, compra de insumos, controle de doenças, mão de obra, embalagem e transporte.
Menor oferta elevou os preços
Um dos principais fatores responsáveis pela valorização foi a redução da oferta de banana no mercado durante o mês de março. As condições climáticas registradas no início do ano afetaram o desenvolvimento e a disponibilidade dos frutos.
Com menos produto disponível, o preço da banana-nanica chegou a atingir aproximadamente R$ 2,16 por quilo em março, o maior valor registrado no período analisado.
A valorização, entretanto, não se manteve durante todo o semestre. No final de maio, novas condições climáticas desfavoráveis prejudicaram a qualidade de parte dos frutos, reduzindo o valor comercial da produção.
Concorrência de outras regiões limita valorização
Além dos efeitos do clima, os produtores do Vale do Ribeira também enfrentaram maior concorrência de outras regiões produtoras, especialmente do Norte de Minas Gerais.
A entrada de bananas de outros estados no mercado contribuiu para ampliar a oferta e impedir uma elevação mais consistente dos preços pagos aos produtores paulistas.
Essa dinâmica demonstra que a rentabilidade da bananicultura depende não apenas da produtividade dentro das propriedades, mas também das condições climáticas, da qualidade dos frutos, dos custos operacionais e da movimentação do mercado nacional.
Cenário exige cautela dos produtores
Embora os resultados de 2026 sejam mais positivos do que os registrados no ano anterior, o setor ainda trabalha com margens reduzidas. Oscilações no preço dos insumos, problemas climáticos e perdas na qualidade podem comprometer rapidamente os ganhos obtidos com a valorização da fruta.
Principal polo produtor de banana do Estado de São Paulo, o Vale do Ribeira possui milhares de propriedades ligadas à bananicultura. A atividade tem papel fundamental na geração de empregos, na agricultura familiar e na movimentação econômica dos municípios da região.
O desempenho registrado no primeiro semestre representa um sinal de recuperação para os produtores, mas reforça a necessidade de investimentos em manejo, qualidade, planejamento da produção e estratégias de comercialização.
As informações econômicas utilizadas nesta matéria foram divulgadas com base em levantamentos atribuídos ao Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada — Cepea.




